Lízel
Olá... Por onde começo? Bem... Vamos lá... Eu sou Elizabeth Muller,todavia, a maioria das pessoas me conhecem por Lízel e eu gosto mais de Lízel.
Tenho dezesseis anos. Sempre fui estranha e desastrada, admito que sou uma pessoa difícil... Simplesmente acho que minha sintonia não é igual à de pessoas
normais... Simples assim.
Meg, Amy, Mary e VV são uma luz na minha vida, amigas seria uma
palavra pequena para descrevê-las. Elas me entendem e me aceitam – com alguns
beliscões de vez enquanto – e estão sempre dispostas a ajudar quando os
problemas surgem. São as melhores amigas que alguém poderia ter. Eu tenho um
probleminha quando o tema é “coração”, as meninas sempre querem me dar uma
forcinha nisso, mas eu não sou boa com relacionamentos amorosos, não mesmo. Meu
ultimo relacionamento há um ano, não foi digamos, legal, mas não quero falar
disso... Está claro que nós moramos num lugar deprimente. Este internato é uma
porcaria, mas pelo menos temos umas as outras e isso vale a pena.
Aqui estudam meninos e meninas, a maioria desprezados pelos pais...
As regras precisam ser seguidas ao pé da letra, muitos as burlam... Recebendo o
castigo depois, é claro, castigos nada agradáveis. Às vezes conseguimos fugir
deles, é uma coisa de louco.
Não conheço meus pais, ou melhor, recebo só cartas deles e as
respondo, isso conta? Até os dez anos
fui criada por babás, a partir daí, como meu pai disse em uma de suas cartas ‘
eu me rebelei e minha rebeldia precisava ser domada’ e então me mandaram para cá.
Meus pais dizem que me amam, mas só andam pelo mundo cuidando de negócios e
nunca vieram me ver... Eles se divorciaram de mim, deve ser isso.
Eu tenho um segredo, nem as minhas amigas sabem, eu queria que elas
soubessem, mas para ser mais objetiva, o segredo não é meu e a pessoa dona dele
me fez prometer que guardaria e eu prometi. Por isso às vezes escapo na calada
da noite.
Bom, neste momento estou na masmorra – ou sala de castigo – sentada
no chão, no canto da parede e sentindo frio, aqui é escuro...
Joguei um prato de sopa dentro da mochila de uma colega de classe,
na aula de matemática, mas ela começou, rasgou três folhas do meu caderno. O
fato é que tivemos um briga e a culpa caiu toda em cima de mim. A Meg tentou me
defender e quase vinha junto comigo, tadinha e se a VV estivesse lá, a garota
não iria ganhar somente puxões de cabelo, tenho certeza. Em fim, depois de
ganhar uma bela sova – uns belos tapas – no corredor de pedra dada por Dona
Gioconda – uma das dirigentes responsáveis por manter a ordem entre as meninas,
ela é alta, cheia, carrancuda e amargurada, deve ter uns 42 anos. Sua cara de fúria
é medonha. – Então, taran! Aqui estou... Contudo, já me acostumei a isso. Mas...
Eu queria ir à festa – vai ser realizada às ocultas - que vão dar no quarto das
“Coelhinhas” amanhã, parece que chegou gente nova, coitados...
Minhas amigas e eu planejávamos ir, será que saio daqui a tempo?

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